Três emocionais que nos distanciam de viver o amor

"Nunca mais eu vou amar de novo." Essa é uma frase que parece definitiva, mas que quase sempre nasce de pontos emocionais muito específicos. Quando eu escuto isso de uma mulher, eu não escuto frieza, eu escuto proteção. E é exatamente por aí que a gente começa a olhar para essa crença de forma simples, honesta e precisa.

O primeiro ponto é a proteção. Eu me protejo quando digo que nunca mais vou amar de novo. Se eu vivi um trauma, uma história que ainda dói quando eu lembro, o meu sistema interno entende que amar novamente é me colocar em risco outra vez. Então essa crença nasce como uma tentativa de me ajudar. Enquanto aquela história não é resolvida dentro de mim, amar de novo parece perigoso. Por isso é tão importante olhar para o passado com consciência. Quais histórias de amor ainda doem hoje? Quais situações não foram digeridas? Quando eu escrevo, quando eu nomeio o que aconteceu, quando eu busco ferramentas para trabalhar isso, eu já estou fazendo algo que muita gente nunca faz: eu começo a me entender. Não é sobre perdoar correndo, é sobre trabalhar o que ficou aberto. Enquanto isso não acontece, a frase “nunca mais vou amar de novo” até faz sentido. Ela está tentando me proteger.

O segundo ponto é a falta de confiança em mim mesma ou na vida. Às vezes eu até trabalho o trauma, mas continuo acreditando que eu escolho mal. Eu digo que o meu dedo é podre, que eu não confio nas minhas decisões. Nesse lugar, amar de novo parece impossível porque eu não confio em mim. Para algumas mulheres, especialmente quem viveu a morte de um grande amor, a dor é diferente. Eu até acredito que posso escolher bem, mas não confio na vida, porque a vida pode tirar de mim aquilo que eu amo. E isso é uma verdade dura de encarar. Mas aqui entram dois movimentos importantes: perdoar a vida e me perdoar. Eu posso dizer, com verdade, eu perdoo a vida por ter levado o meu amor e eu me perdoo por escolhas que fiz quando não sabia mais. E eu prometo fazer diferente a partir de agora. Esse compromisso comigo mesma muda tudo. Confiar em mim não nasce do nada, nasce de consciência, de apoio, de terapia, de escuta interna e de treino emocional.

O terceiro ponto é quando eu não vejo o amor em lugar nenhum. Eu olho ao redor e penso que não tem ninguém disponível, que os casais vivem brigando, que relacionamento é sofrimento. Nesse caso, o ambiente importa muito. Eu preciso começar a me expor a outras referências. Ver casais que crescem juntos, mesmo com conflitos. Ler histórias de amor. Abrir espaço para imagens de relacionamento saudável. A gente é adulta o suficiente para saber que não existe relação perfeita, mas existe relação que constrói, que amadurece, que aprende com o conflito. Quanto mais eu vibro histórias de amor, mais eu começo a perceber o amor ao meu redor. O olhar muda, e a vida responde a esse olhar.

“Nunca mais eu vou amar de novo” pode ser uma frase de proteção por um tempo. Mas ela não precisa ser uma sentença eterna. Em algum momento, essa frase pode ficar distante de você e dar espaço para algo muito mais verdadeiro. Amar com consciência, com maturidade e com presença.

Agora me conta, olhando para você, qual desses pontos faz mais sentido? Onde você percebe que essa crença se sustenta? Você vale a pena. A vida é preciosa. Se hoje você escolhe viver só para você, tudo bem. Mas se existe em você o sonho de amar de novo, saiba que vale a pena investir nisso. Eu acredito profundamente que o amor é uma das experiências mais importantes da vida. E para você, como isso fica?

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"Quando você muda por dentro, o mundo muda por fora."
Mentoria com Miria Kutcher