Por que é tão difícil deixar ir quem a gente ama?
Perder alguém que amamos é uma das experiências mais dolorosas da vida. Seja pela morte física ou pelo fim de um relacionamento, o luto traz uma sensação de vazio que parece insuportável. É nesse momento que muitos se perguntam: por que dói tanto deixar ir?
Em 2021, vivi isso de forma muito intensa. Perdi meu marido e me vi mergulhada em um processo de dor profunda. Foi nesse período que participei de um treinamento nos Estados Unidos com David Kessler, um dos maiores especialistas em luto. Ele sempre dizia algo muito verdadeiro: a única maneira de não sofrer com a perda é nunca amar. E, claro, essa não é uma escolha real. Afinal, quem deseja passar pela vida sem amar, apenas para evitar a dor?
O amor cria raízes dentro de nós. Ele nos conecta, nos impulsiona, dá sentido à vida. Quando perdemos alguém, essa ligação parece arrancada, mas a verdade é que o amor não se perde. O que sentimos pelo outro permanece vivo em nós.
O amor permanece em nós
Mesmo na ausência da pessoa, o amor que dedicamos continua. É emocionante perceber que, apesar da dor, nada pode apagar o sentimento que cultivamos. Ele está dentro de nós, transformando-se ao longo do tempo.
Eu vivi essa transformação. Sofri, chorei, honrei a dor. Mas também aprendi a amar novamente. Hoje sou feliz ao lado do Samuel, mas jamais esqueço a importância da jornada que vivi. O luto não apaga a possibilidade de recomeço, ele apenas nos mostra que é preciso reconstruir.
Honrar o luto e amar a si mesma
O processo do luto é também um convite ao autoconhecimento. É olhar para dentro e se perguntar: “Será que eu estou honrando a dor que carrego, mas também reconhecendo o meu próprio valor?”
Muitas vezes, projetamos nossa força de vida no outro. Quando ele se vai, ficamos sem chão. Mas no fim das contas, somos nós que precisamos carregar essa força. Amar a si mesma, respeitar o próprio corpo e acolher suas emoções é o caminho para transformar a dor em aprendizado.
Não importa se a perda aconteceu por morte física ou por rompimento. O corpo sente, a alma sente. Por isso, é essencial dar espaço para o luto, mas também encontrar formas de enraizar o amor dentro de si, como uma fonte de energia renovadora.
Transformando a dor com EFT
Superar o luto não significa esquecer ou deixar de amar. Significa aprender a conviver com a ausência e, ao mesmo tempo, fortalecer o vínculo com a própria vida. Para ajudar nesse processo, gravei uma rodada de EFT (Emotional Freedom Techniques) específica para trabalhar a dor da perda.
Essa técnica atua diretamente no corpo, liberando emoções presas e trazendo alívio ao coração. Pode não ser fácil no início, mas com persistência, é possível transformar a dor em força e abrir espaço para uma vida mais leve.
Se você está vivendo o luto, permita-se sentir, honrar e transformar essa dor. O amor que você dedicou ao outro continua vivo em você. Respire fundo, trate-se com compaixão e lembre-se: você não está sozinha.
A jornada pode ser desafiadora, mas também pode abrir caminhos para uma vida mais plena, enraizada no amor por si mesma.